quinta-feira, setembro 21, 2006

É um filme português, com certêz!!

Confesso que não sou grande conhecedor do cinema português mas parece-me que o último filme do Fernando Lopes acabou finalmente com a discussão «tirada-de-filme-português-que-pretende ficar-prá-história-tal-qual-"Rosebud"-ficou-na-história-do-cinema-mundial» que gerava imensa controvérsia entre os pseudo-intelectuais da nossa praça que se dedicam a exercícios desta estirpe, estando todos eles dividos entre o clássico

-Evaristo?? Tens cá disto?

o simples yet com olho prá coisa

-Os mortos nã bebem

o "deixa-cá-ver-se-ao-meter-um vernáculozinho-isto-fica-prá-história"

-Vai à merda!
-Vai tu!

e o exercício pastiche de

-Foda-se, caralho, Pantera, pá! Não morras!!!
(citação livre)


Pois isso era dantes. Fernando Lopes brinda-nos com um genial diálogo, que ao que julgo saber até fecha o filme, acabando assim com a discussão. É que não vale mais a pena. Desistam. O vencedor está encontrado. A fechar o 98 Octanas, esta troca de palavras entre os protagonistas recolhe os louros

-Para onde vais?
-Para longe.
-E onde é que isso fica?
-Perto.

Genial, é ou não é?

PS
O guião original do 98 octanas chegou às minhas mãos (não me perguntem como). Pude constatar que a decisão pelo título da película não foi fácil, havia várias hipóteses. Na primeira página do guião surgem os putativos (salva de 21 tiros para ssinalar a primeira vez que emprego esta palavra no blog) títulos que acabaram por ser rejeitados. Qualquer coisa como "BIODIESEL", "EFFITEC 95 S/ CHUMBO", "VERDE-CÓDIGO-VERDE" e "CARTÃOZINHO DOS PONTOS, TEM?"
Mas não é só! Por pouco perdia-se a melhor «tirada-de-filme-português-que-pretende-ficar-prá-história-tal-qual-"Rosebud"-ficou-na-história-do-cinema-mundial». É que o último diálogo era para ser

-Tens a certeza que vais por aí? Tá tão escuro!
-Claro!

PS2
Porque é que os portugueses que fazem filmes são cineastas e todos os outros são realizadores de cinema?
Alguém me explica?

2 Comments:

Blogger FM said...

Já tinha ouvido falar do 98 octanas, mas pensava que era o afamado documentário do Al Gore acerca das terríveis alterações climáticas no planeta Terra. Agora sei que é um filme que ameaça tornar-se um clássico instantâneo. Esse discurso final poderia ter sido ainda mais vago se o guionista tivesse pensado no seguinte diálogo "- Para onde vais? - Para longe. - E onde é que isso fica? - POR AÍ." Mas ele quis situar-nos no espaço.
Contudo,é com ternura que relembro o diálogo do Zona J (que fizeste o favor de recordar). Esse é, na minha opinião, o momento alto do nosso cinema. Enquanto o pantera desfalece nos braços de um guna amigo todo kitado, este tenta ressuscitá-lo com um "Não morras, caralho!". Anda meio mundo às voltas com teorias e o caralho é a medida de todas as coisas. Se uma gaja é boa, é boa como o caralho, se uma gaja é má, é má como o caralho. Já ouvi esta teoria n sei onde e é bem verdadeira. Quanto à dicotomia cineasta/realizador de cinema bem, a diferença é que realizador de cinema toda a gente sabe o que é, enquanto cineasta é um termo vago.
Realmente, nunca utilizámos o termo "putativo", mas já usámos várias vezes o termo "puta", porque não somos um "blog-que-aspira-ficar-prá-história". Somos antes um "blog-que-aspira-a-ficar-no-topo-dos-resultados-de-pesquisa-do-google-aquando-da-introdução-das-palavras-mais-procuradas", a fim de, qualquer dia, conseguirmos ter publicidade paga nesta merda.

10:37 da tarde  
Blogger A said...

ok... depois desta discussão estou sentir-me muito pequeno. tanto que ainda há para apreender!

uma coisa que resulta muito bem para ficar no topo de pesquisas do google é falar sobre a ana malhoa, se conseguissem encaixar esse tema em todos os vossos posts, era uma chuva de visitas. o post 'vamos fazer uma vaquinha' teria sido um óptimo começo, pena ter sido subaproveitado

8:45 da tarde  

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