terça-feira, fevereiro 20, 2007

De preservativo na carteira (faço um "raide" até Albufeira!)

No outro dia, um colega, a fim de saldar uma dívida, abriu a sua carteira com enlevado entusiasmo. Em lugar de destaque brilhou o papel de alumínio de um preservativo. Lá tive que balbuciar “Ah! Campeão!”. Há momentos em que um gajo tem que tentar ser tão ou mais bronco para não defraudar o ego de certas pessoas. Esse meu colega lá esboçou um sorriso confiante. Cheguei a duvidar se não terá tido o objectivo de assediar-me, tamanho foi o seu regojizo.
Eu não uso carteira. Prefiro andar com o dinheiro nos bolsos e os documentos espalhados pela minha “Eastpak”. Ando sempre com a minha sacola a tiracolo. Sinceramente, dou-lhe mais uso do que aos preservativos, como tal, tenho sempre os documentos comigo e poupo o inconveniente de andar com um chumaço no bolso de trás das calças.
Isto do preservativo na carteira tem que se lhe diga. Parece-me que muita malta os transporta diariamente, para todo o lado, fazendo dele um amuleto, como quem se afeiçoou a uma pata de coelho ou a um trevo de quatro folhas.
Andar com um preservativo na carteira é tão foleiro como transportar um pente no bolso da camisa, ter um galhardete de um clube de futebol ou um cd virgem suspensos no retrovisor do automóvel. Só que como tem uma conotação sexual a malta diz que é de homem.
Um preservativo na carteira lembra-me sempre mercantilização do sexo – o preservativo, ali, em convívio com notas, moedas, número de contribuinte, cartão de cliente do Psicológico, etc. Pelo menos, podiam guardá-lo no bolso da camisa, junto ao coração (qualquer dia estou a escrever letras para o Marco Paulo).
Por esta altura, berram vocês desse lado: “Moreira, meu ressabiado, há pessoas que conseguem ter sexo casual nos sítios e momentos mais impensáveis com regularidade!” Tudo bem. Mesmo assim, qual a necessidade destes indivíduos andarem diariamente com um preservativo na carteira? Serão tão irresistíveis que quando pagam a conta na mercearia ou na pastelaria correm o risco de ter sexo, ali mesmo, em cima do balcão, com a empregada da caixa, sem conseguirem sequer chegar ao automóvel, ir até à casa-da-banho, convidá-la para o seu apartamento ou irem à máquina no exterior da farmácia ao lado meter umas moedas?
É que andar com um preservativo na carteira também pode dar ar de quem sofre de disfunção eréctil ou ejaculação precoce. “É melhor ter a borrachinha aqui à mão, se não, podem passar mais 10 anos sem me entusiasmar a este ponto…”
Também deve ser giro quando estes gajos vão, enfim, dar uso ao preservativo e leêm “2004-12”. Pensarão em voz alta: “O último festival de Verão a que fui foi já assim há tanto tempo? Deixei de ver os Franz Ferdinand para andar à cata de preservativos e agora não me serve de nada”. Deve ser uma frustração algo do género “Chatice! Ainda na semana passada tive que deitar fora os iogurtes e agora isto! Que se foda! Vou para a varanda atirar balões de água aos transeuntes.”
Outros possíveis títulos para este post:

De preservativo na carteira (bricobaile a noite inteira!)
De preservativo na carteira (é pá maluqueira!)
De preservativo na carteira (vai já com a primeira rameira!)
De preservativo na carteira (ambos comprados na feira!)
De preservativo na carteira (não me escapa a cabeleireira!)
De preservativo na carteira (vemo-nos na Vidigueira!)
De preservativo na carteira(é de perder a estribeira!)
De preservativo na carteira (fodo sem eira nem beira!)

1 Comments:

Anonymous afonsinha said...

hilariante!

7:39 da manhã  

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